Inaugurado em julho, presídio de Rondônia tem quase o dobro da capacidade de presos

Os agentes penitenciários do Centro de Ressocialização de Ariquemes, no Vale do Jamari, denunciaram ao Ministério Público de Rondônia (MP-RO) problemas na lotação do presídio inaugurado no final de julho.

Os agentes penitenciários do Centro de Ressocialização de Ariquemes, no Vale do Jamari, denunciaram ao Ministério Público de Rondônia (MP-RO) problemas na lotação do presídio inaugurado no final de julho. Segundo os servidores, a unidade devia ter apenas 230 apenados, mas atualmente mais de 400 presos estão no local, inclusive ocupando a enfermaria.

A denúncia ao MP, a qual a reportagem teve acesso, foi feita pelos agentes antes mesmo da primeira fuga da unidade prisional, quando 11 detentos serrarem as grades e fugiram no dia 3 de agosto.

O novo presídio custou R$ 10 milhões e a obra durou sete anos para ser finalizada.

Uma das principais dificuldades relatadas pelos servidores é o pequeno efetivo de agentes penitenciários para vigiar mais de 400 presos que ocupam o local, segundo a categoria.

Em uma reunião no MP de Ariquemes no começo de agosto, servidores contaram que há presos ficando na enfermaria, onde só deveriam estar se tivessem apenas com problemas de saúde.

Eles afirmam na denúncia que tal situação gera desconforto e insegurança nos funcionários do local.

Em uma revista feita no último dia 11 de agosto, através das Forças Armadas, várias serras e drogas foram apreendidos dentro do Centro de Ressocialização Cone Sul. Desde a inauguração, segundo o Exército, o presídio recebeu apenas os apenados e funcionários, ou seja, não teve visitas de parentes.

Na varredura também foram achados aparelhos celulares, carregadores, chips de celular, drogas, isqueiros, 26 objetos cortantes, incluindo serras para cortar ferro, e 999 hastes de ferro que poderiam ser usadas como armas em um possível conflito entre presos.

MP-RO

A promotora Joice Mota Azevedo diz que o momento de transição exige ajustes e que com bom senso os problemas podem ser resolvidos rapidamente.

No começo de agosto, uma inspeção foi feita no presídio e vários dos problemas apontados foram confirmados pela promotoria.

“A gente apura que é um momento de transição, que exige adaptações para garantir a segurança da unidade. Eles [agentes] têm uma preocupação muito grave, importante e fundamentada com a segurança própria, mas também com a segurança de quem está lá dentro e consequentemente com a segurança da sociedade”, explica,

Ela diz que tentará manter conversa com a Secretaria de Estado de Justiça (Sejus) e a partir do atendimento ou não das demandas, vai traçar ações.

Clebs Dias, delegado sindical que representa os agentes, diz que o excesso de presos e carência de servidores, estimula revoltas e fugas.

“Ela está com mais de 400 presos, devido a não ter celas suficientes, tem presos ficando na enfermaria, Regime Disciplinar Diferenciado, no PNE e no motel do presídio. Encheram de presos e isso afeta nossa segurança. Nós não temos condições de dar assistência a todos. Com esse quantitativo de presos e esse número de agentes, não conseguimos trabalhar”, reclama.

Um relatório feito pelos agentes aponta problemas como a insegurança no deslocamento deles até o presídio, que fica na zona rural, e deficiência na comunicação.

Enquanto os agentes eram ouvidos dentro do auditório do MP, na frente da promotoria, cerca de 25 mulheres protestavam pelas más condições que os filhos e esposos delas estariam recebendo.

Segundo elas, os presos estão sem receber atendimento médico adequado por causa da ocupação da enfermaria e sem receber alimentação suficiente.

A reportagem solicitou resposta da Sejus acerca das críticas feitas em relação ao funcionamento do presídio e até o fechamento desta reportagem, não obteve resposta.



Fonte: G1 RO